terça-feira, 17 de maio de 2016

Curar os enfermos (Bezerra de Menezes)

Meus filhos, Jesus lhes abençoe os caminhos com muita paz.

O amor ao próximo é a alma dos princípios cristão.

A lei universal de amor nos permite e convida-nos à ação consoladora em favor das necessidades de nosso próximo. Entretanto, a ação no bem, por si mesma, não representa a cura pessoal.

Estender a mão que apoia e enxugar lágrimas são roteiros insubstituíveis de solidariedade e bondade a que todos omos chamados para propiciar o bem alheio, a cura e a redenção, entretanto, são caminhos individuais e intransferíveis, frutos do merecimento e do trabalho pessoal.

Quando Mestre orientou os apóstolos para "curarem toda a enfermidade", antes de tudo, estava propondo a ação curativa de si mesmos. É interessante notar que aqueles que foram beneficiados pelas Suas mãos santas já apresentavam as condições íntimas de libertação de suas dores e privações.

A narrativa evangélica assegura que o Senhor "deu-lhes poder", antes mesmo de recomendar as ações solidárias de curar, limpar, expulsar e ressuscitar. Conferir poder é acolher, estimular, orientar e reforçar a divindade adormecida e ignorada no íntimo do coração. Todo servidor do bem que busca sua própria iluminação habilita-se, pelo exemplo e pela força de suas atitudes sinceras, a despertar esse poder em seu próximo. O poder da crença lúcida, o poder da fé legítima, o poder do amor curativo.

A vida de Jesus é repleta de preciosas histórias de despertamento, que se deram por meio da pedagogia da crença no valor pessoal, a partir da amorosidade, do acolhimento e da inclusão. Na singela expressão "deu-lhes poder", está resumida a mais gloriosa missão das linhas do amor.

Nessa ótica, amar é construir relações afetivas capazes de fazer florescer o melhor de cada um de nós, dilatando o poder individual de cura e de iluminação interior.

Quem ama acolhe sua própria sombra interior com tão rica bondade, que conquista o poder de um descobridor de talentos de quantos se encontrarem à sua volta. Quem ama tem luz no olhar e destaca sempre o bem e a riqueza íntima de todos. 

Embora consideradas emoções que causam sofrimento, à luz do amor, podemos transformar a tristeza e a mágoa, o medo e a culpa, o orgulho e a inveja em adubos nutrientes no canteiro da alma, produzindo farta colheita de frutos. Estas são emoções que curam e, nessa transformação, reside o poder da cura pessoal.

tristeza é um convite para o melhor ajustamento à realidade.

mágoa é uma dor que nos sacode para que descubramos velhas ilusões no campo mental.

medo é um amigável indicador de que queremos responder acertadamente aos desafios, requisitando de nós mesmos maior preparo e atenção.

culpa é uma exigente orientadora que nos convoca a rever crenças e valores.

orgulho é uma força que, bem orientada, torna-se pilar da autoestima.

A inveja é uma pista concreta sobre talentos adormecidos nos recessos profundos da inteligência.

Curar não significa eliminar a parcela de sombra pertinente às nossas atitudes, pois nos porões sombrios da vida mental existem terrenos férteis para a semeadura em favor da iluminação da consciência.

Em cada traço sombrio da personalidade humana, existe uma dica emocional em favor da cura de nossas enfermidades. Essas sombras constituem emoções curativas quando iluminadas por uma percepção sadia e consciente.

Louvemos a vida e a oportunidade que nos foi entregue de curadores de nós próprios nas bênçãos da reencarnação e comecemos o quanto antes a cuidar do enfermo que está dentro de cada um de nós, promovendo-nos à condição de saudáveis filhos de Deus. 

Esse trabalho interior de recuperação é um resultado de três ciclos que amadurecem a experiência emocional e psíquica. O primeiro, autoconhecimento; o segundo, a autotransformação; o terceiro, o autoamor.

Esses são os três ciclos do poder pessoal, os três pilares do amor que liberta e quem avança por eles alcança poder.

Quem alcança poder íntimo pode "curar enfermos, ressuscitar os mortos, expulsar demônios e limpar leprosos", conforme a recomendação de Jesus aos seguidores de sua mensagem sublime.

De coração agradecido e por entre as luzes do amor e da compaixão, recebam minha bênção sincera em nome de Jesus Cristo!

Bezerra de Menezes
Do livro: Emoções que Curam, por Ermance Dufaux

quarta-feira, 11 de maio de 2016

L.E.: Desigualdade Social

A desigualdade das condições sociais é uma lei natural?

— Não; é obra do homem e não de Deus.

Essa desigualdade desaparecerá um dia?

Só as leis de Deus são eternas. Não a vês desaparecer pouco a pouco, todos os dias? Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social.

Que pensar dos que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito?

— Esses merecem o anátema; infelizes deles! Serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer. (Ver item 684.)

A igualdade absoluta das riquezas é possível e existiu alguma vez? 

— Não, não é possível. A diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso.

Há homens, entretanto, que creem estar nisso o remédio para os males sociais; que pensais a respeito? 

— São sistemáticos ou ambiciosos e invejosos. Não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das coisas. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras. 

Se a igualdade das riquezas não é possível, acontece o mesmo com o bem-estar?

— Não; mas o bem-estar é relativo e cada um poderia gozá-lo, se todos se entendessem bem… Porque o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade, e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto. Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. O equilíbrio existe em tudo e é o homem quem o perturba(1).

É possível que todos se entendam?

— Os homens se entenderão quando praticarem a lei da justiça.

Há pessoas que caem nas privações e na miséria por sua própria culpa; a sociedade pode ser responsabilizada por isso?

— Sim, já o dissemos, ela é sempre a causa primeira dessas faltas; pois não lhe cabe velar pela educação moral de seus membros? É frequentemente a má educação que falseia o critério dessas pessoas, em lugar de aniquilar-lhes as tendências perniciosas. (Ver item 685.)

(1) No mundo de hoje, este problema já vem provocando tentativas de solução. Trata-se do aproveitamento das vocações, cujo desperdício sistemático acarreta perdas consideráveis à economia social e profundo desequilíbrio na estrutura das sociedades (N. do T.) 

Livro dos Espíritos 
Allan Kardec 

quarta-feira, 4 de maio de 2016


O Cooperador (Chico Xavier)

Imagina-te à frente de um violino. Instrumento que te espera sensibilidade e inteligência, atenção e carinho para vibrar contigo na execução da melodia.

Se o tomas de arranco, é possível te caia das mãos, desafinando-se, quando não seja perdendo alguma peça.

Se esquecido em algum recanto, é provável se transforme em ninho de insetos que lhe dilapidarão a estrutura.

Se usado, a feição de martelo, fora da função a que se destina, talvez se despedace.

Entretanto, guardado em lugar próprio e manejado na posição certa, como a te escutar o coração e o cérebro, ei-lo que te responde com a sublimidade da música.

Assim, igualmente na vida, é o companheiro de quem esperas apoio e colaboração.


Chame-se familiar ou companheiro, chefe ou subordinado, colega ou amigo, se lhe buscas o auxílio, a golpes de azedume e brutalidade, é possível te escape da área de ação, magoando-se ou perdendo o estímulo ao trabalho.

Se largado ao menosprezo, é provável se entregue a influências claramente infelizes, capazes de lhe envenenarem a alma.

Se empregado por veículo de intriga ou maledicência, fora das funções edificantes a que se dirige, talvez termine desajustado por longo tempo.

Mas, se conservado com respeito, no culto da amizade, e se mobilizado na posição certa, como a te receber as melhores vibrações do coração e do cérebro, ei-lo que te corresponde com a excelência e a oportunidade da colaboração segura, em bases de amor que é, em tudo e em todos, o supremo tesouro da vida.

Pensemos nisso e concluiremos que é impossível encontrar cooperadores eficientes e dignos, sem indulgência e compreensão.

Francisco Cândido Xavier;

Da obra: Caridade.