quinta-feira, 21 de julho de 2016

Deus é quem cura

Alguns homens, quando realizam grandes feitos, costumam encher-se de orgulho. Chegam a pensar que são infalíveis em sua atuação e creem que tudo podem.

E isso nos recorda o grande mestre e criador da homeopatia, Samuel Christian Hahnemann, uma postura de verdadeiro sábio.

Em 1835, chegou a Paris e começou a clinicar, embora o descrédito e o ataque de muitos dos seus colegas alopatas.

Foi então que a filha de Ernest Legouvé, membro da Academia Francesa, famoso escritor da época, adoeceu gravemente.

Um artista de nome Duval foi chamado para fazer um retrato da jovem agonizante. Era a derradeira lembrança que o pai amoroso desejava ter da filha que se despedia da vida.

Concluída a tarefa, executada com as emoções que se pode imaginar, Duval fez ao pai uma pergunta nevrálgica:

- Se toda a esperança está perdida, por que o senhor não tenta uma experiência com a nova medicina que tanto alvoroço tem feito?

Por que não consulta o doutor Hahnemann?

Nada havia a perder e o pai chamou o homeopata. Quando o viu, pareceu-lhe estar defronte a um personagem fantástico de contos infantis.

Hahnemann era de baixa estatura, robusto e firme no andar, envolvido em uma capa e apoiado sobre uma bengala com castão de ouro.

Uma cabeça admirável, cabelos brancos e sedosos, lançados para trás e cuidadosamente encaracolados em torno do pescoço.

Com seus olhos de um azul profundo, sua boca imperiosa inquiriu minuciosamente sobre o estado da menina.

Na sequência, pediu que transferissem a enferma para um quarto arejado, abrindo portas e janelas para que ar e luz entrassem abundantes.

No dia seguinte, iniciou o tratamento. Foram dez dias de expectativa e de tensão. Finalmente, a esperança se confirmou. A menina estava salva.

O impacto dessa cura, quase milagrosa, foi enorme, em toda Paris.

Em reconhecimento pela salvação de sua filha, apesar de muitos ainda afirmarem que Hahnemann não passava de um charlatão, Legouvé presenteou o médico com o próprio quadro pintado por Duval.

Era uma obra prima. O criador da Homeopatia a contemplou demoradamente, tomou da pena e escreveu:

- Deus a abençoou e salvou. Hahnemann.

Considerava pois a cura uma bênção de Deus, da qual ele não 
fora mais do que um instrumento.

Assim são os verdadeiros sábios, os grandes gênios da Humanidade.

Eles sabem que dominam grandes porções do conhecimento. 

Mas não esquecem de que a inteligência lhes foi dada por Deus, de onde todos emanamos.

Somos filhos da Suprema Inteligência, que nos permite crescer ao infinito.

Contudo, a Ele cabem todas as bênçãos, permitindo-nos, na qualidade de irmãos uns dos outros, atuar, agir, no grande concerto da criação.

Façamos o bem, sempre nos recordando que, sem Deus, nada podemos.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 19 de julho de 2016


Veneno Livre (Irmão X)

Pede você que os Espíritos desencarnados se manifestem sobre o álcool, sobre os arrasamentos do álcool.


Muito difícil, entretanto, enfileirar palavras e definir-lhe a influência.

Basta lembrar que a cobra, nossa velha conhecida, cujo bote comumente não alcança mais que uma só pessoa, é combatida a vara de ferro, porrete, pedra, armadilha, borralho, água fervente e boca de fogo, vigiada de perto pela gritaria dos meninos, pela cautela das donas de casa e pela defesa do serviço municipal, mas o álcool, que destrói milhares de criaturas, é veneno livre, onde quer que vá, e, em muitos casos, quando se fantasia de champanhe ou de uísque, chega a ser convidado de honra, consagrando eventos sociais.

Escorrega na goela de ministros com a mesma sem-cerimônia com que desliza na garganta dos malandros encarapitados na rua.

Endoidece artistas notáveis, desfibra o caráter de abnegados pais de família, favorece doenças e engrossa a estatística dos manicômios; no entanto, diga isso num banquete de luxo e tudo indica que você, a conselho dos amigos mais generosos, será conduzido ao psiquiatra, se não for parar no hospício. 

Ninguém precisa escrever sobre a aguardente, tenha ela o nome de vodca ou de suco de cana, cerveja, rum ou conhaque, de vez que as crônicas vivas, escritas por ela mesma, estão nos próprios consumidores, largados à bebedeira, nos crimes que a imprensa recama de sensacionalismo, nos ataques da violência e nos lares destruídos.

E se comentaristas de semelhantes demolições devem ser chamados à mesa redonda da opinião pública, é indispensável sejam trazidos à fala as vítimas de espancamento no recinto doméstico, os homens e as mulheres de vida respeitável que viram a loucura aparecer de chofre no ânimo de familiares queridos, as crianças transidas de horror ante o desvario de tutores inconscientes e, sobretudo, os médicos encanecidos no duro ofício de aliviar os sofrimentos humanos.

Qual! Não acredite que nós, pobres inteligências desencarnadas, possamos grafar com mais vigor os efeitos da calamidade terrível que escorre, de copinho a copinho.

É por isso talvez que as tragédias do alcoolismo são, quase sempre, tratadas a estilete de sarcasmo.

E creia você que a ironia vem de longe.

Consta do folclore israelita, numa história popular, fartamente anotada em vários países por diversos autores, que Noé, o patriarca, depois do grande dilúvio, rematava aprestos para lançar à terra ainda molhada a primeira vinha, quando lhe apareceu o Espírito das Trevas, perguntando, insolente :

- Que desejas levantar, agora?

- Uma vinha - respondeu o ancião, sereno.

- O sinistro visitante indagou quanto aos frutos esperados da plantação.

- Sim - esclareceu o bondoso velho -, serão frutos doces e capitosos. As criaturas poderão deliciar-se com eles, em qualquer tempo, depois de colhidos. Além disso, fornecerão milagroso caldo que se transformará facilmente em vinho, saboroso elixir capaz de adormecê-las em suaves delírios de felicidade e repouso...

- Exijo sociedade nesta lavoura! - gritou Satanás, arrogante.

Noé, submisso, concordou sem restrições e o Gênio do Mal encarregou-se de regar a terra e adubá-la, para o justo cultivo.

Logo após, com a intenção de exaltar a crueldade, o parceiro maligno retirou quatro animais da arca enorme e passou a fazer a adubagem e a rega com a saliva do bode, com o sangue do leão, com a gordura do porco e com o excremento do macaco.

À vista disso, quantos se entregam ao vício da embriaguez apresentam os trejeitos e os berros sádicos do bode ou a agressividade do leão, quando não caem na estupidez do porco ou na momice dos macacos.

Esta é a lenda; entretanto, nós, meu amigo, integrados no conhecimento da reencarnação, estamos cientes de que o álcool, intoxicando temporariamente o corpo espiritual, arroja a mente humana em primitivos estados vibratórios, detendo-a, de maneira anormal, na condição de qualquer bicho.

Pelo Espírito: Irmão X (Humberto de Campos);

Psicografia: Francisco Cândido Xavier;
Do livro: Cartas e Crônicas. Lição nº 18. Página 81.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Oração pela humanidade

Deus, nosso Pai misericordioso e bom!

Diante das sombras que se espalham sobre o nosso planeta, desejamos rogar a sua ajuda, como jamais o fizemos antes.

Sabemos que o Senhor é onisciente e sabe tudo o que acontece neste minúsculo grão de areia que chamamos terra, mas desejamos externar a nossa singela oração.

Senhor, muitos dos seus filhos se esqueceram que são filhos da luz e se obstinam em disseminar trevas por onde passam.

Alguns homens perderam a fé na vida, perderam a fé no Senhor, e se perderam...

Outros pensam que a terra está à beira do caos e que o Senhor, que acende as estrelas e faz girar os astros, abandonou a humanidade terrestre.

Compadeça-se das nossas misérias morais e abençoe-nos...

Releve a nossa ignorância, tolere a nossa ingratidão e perdoe a nossa falta de fé.

Esquecidos de que em essência somos luz, permitimos que as sombras nos cubram a visão e nos infelicitem.

Há tanta falta de luz no mundo, Senhor...

Enquanto o amor se esgueira, tímido, a violência se mostra em plena luz do dia, sem disfarce...

Até parece, Senhor, que muitos dos seus filhos enlouqueceram...

Acreditando-se Senhores da terra e dos seus irmãos em humanidade, há homens que esqueceram os verdadeiros valores do espírito e penhoram seu patrimônio moral em troca de dinheiro, como se o dinheiro fosse a única coisa que importa... Alguns até agem como se o dinheiro fosse seu único e poderoso Deus...

Sabemos, Senhor, que o homem é o único ser capaz de reconhecer a sua soberania, mas às vezes dá a impressão de que os animais são mais dóceis e executam de maneira mais eficiente as tarefas que lhes cabem na sua obra.

Senhor, por tudo isso queremos lhe rogar: ajude-nos a construir um mundo melhor, de onde a guerra seja banida de vez por todas...

Um mundo onde o ser humano seja mais valorizado do que algumas notas de dinheiro...

Um mundo onde o ser humano seja mais importante do que um cargo, do que um pedaço de chão, do que um papelote de drogas, do que outro interesse qualquer.

Eis a nossa rogativa, Senhor.

Ajude-nos a enxergar um pouco além dos nossos próprios interesses para construir a paz tão almejada e tão pouco buscada de verdade...

Ajude-nos a retirar dos olhos a venda da vaidade, que nos impede de enxergar as nossas deformidades morais e nossa pequenez diante da sua grandeza. 

Ajude-nos a romper essa concha de egoísmo que nos paralisa as mãos e nos impede de estender os braços para ajudar nossos irmãos.

Ajude-nos a diluir essa máscara de prepotência para que possamos entender que nada somos sem o seu amor...

Ajude-nos, Senhor, a elevar o olhar acima da própria estatura, para vislumbrar o horizonte e caminhar em sua direção.

Ajude-nos a abrir mão da auto-piedade e lançar o olhar em redor... 

Descobrir nosso próximo e nos aproximar dele...

Ensine-nos, Pai, a construir pontes de entendimento, a estreitar laços de amizade, a entender o semelhante, a amar...

Ajude-nos, Senhor, a admitir a própria fragilidade...

A livrar-nos da arrogância...

A construir jardins...

A espalhar perfume...

A enxugar lágrimas...

A caminhar com coragem...

A acreditar na vida e no seu incondicional amor...

A disseminar esperança...

A sorrir sempre...

A perdoar sem condições...

E, por fim, Senhor, ajude-nos a voltar nosso olhar para as estrelas, mesmo que nossos pés ainda se achem encharcados de lama.

Que assim possa ser, Senhor!

Redação do Momento Espírita